Categoria Ser Adolescente

Ser adolescente…

                                                                                                  adolecente

A adolescência é um novo nascimento

Quero começar falando sobre a adolescência trazendo a perspectiva do psicólogo e educador G. Stanley Hall, pois muitos de seus achados encontram eco nas pesquisas contemporâneas.

Hall considerava a adolescência como um estágio de agitação emocional e de rebelião, no qual o comportamento variava entre o mau humor silencioso e atitudes selvagens e arriscadas. A adolescência, declarou ele, “anseia por sentimentos fortes e sensações novas….monotonia, rotina e detalhes lhes são intoleráveis.” A consciência de si e do ambiente intensifica-se muito; tudo é sentido de maneira mais aguda, busca-se a sensação por si mesma.

Para ele a adolescência “é um novo nascimento, uma vez que os traços humanos mais elevados e completos tem nela sua origem.” Portanto, para ele, a adolescência era, na verdade, um começo necessário de algo muito melhor.

Por ser este um período de mudanças individuais, uma “fase em que os piores e os melhores impulsos da alma humana lutam entre si para ganhar espaço” é que entendo por meio de minhas observações que se trata de um período onde os pais precisam ligar todas as suas ‘antenas’ e assumirem como nunca o seu papel diante destas criaturas. São seres humanos que saem de uma fase infantil com uma personalidade constituída pela natureza (o que herdou ao nascer) e pela criação (o que experimentou a partir do nascimento).

Os adolescentes “imploram” por limites, tem necessidade de encontrar em seus pais a referência de até onde podem ir, mesmo que suas atitudes demonstrem o contrário. Nesta fase das vidas dos filhos os pais se colocam em cheque, pois aqui precisam agir a partir de suas próprias experiências e conclusões. É, portanto de grande ajuda que tenham passado por esta fase de maneira saudável e tenham consciência e clareza de como devem agir diante dos desafios que lhes são apresentados.

Os pais precisam entender que têm um papel diferente do papel dos amigos e assim, os filhos só querem que eles sejam seus pais. Sempre que observo os adolescentes ansiosos e agitados, vejo claramente a necessidade que eles têm de encontrar adultos que lhe inspirem confiança e segurança.

Uma educação que contribui para deixar pessoas melhores para nosso mundo é realizada pela família e se inicia na fase infantil com a atuação constante dos pais na condução da construção ética e moral dos filhos. Quando os pais conduzem suas crianças de maneira serena e firme a passagem pela adolescência tende a ser próspera.

Um dia um pai, ainda jovem, me disse que a figura que melhor representa a educação adequada que se deve dar aos filhos, é o cone colocado com a parte estreita na base (voltada para a terra) e a parte mais larga no topo (voltada para o céu). Fiquei muito feliz em ouvi-lo e percebi que se os pais atuassem com esta consciência garantiriam adultos saudáveis no futuro. Sei que esta proposta é desafiadora mas pude observar que é eficaz. Devemos, portanto ir ampliando o limite à medida que a pessoa tenha condição de percorrer com segurança a área liberada. Quando invertemos o cone, o que observamos são crianças desajustadas que criam um ambiente desfavorável para os pais, assumindo na maioria das vezes o papel de definidor dos acontecimentos e fazendo com que os pais apenas os ‘obedeçam’. Isto acaba ocorrendo porque muitos pais se sentem culpados pelo pouco tempo que dedicam a seus filhos e ficam com medo de perdê-los. Assim quando tem oportunidade de estarem juntos procuram satisfazer todas as vontades dos filhos. Inversão total de papéis.

Para que esta etapa seja bem sucedida uma boa alternativa é a de que o ambiente familiar seja um espaço fértil para a reflexão sobre os comportamentos e sentimentos, onde a confiança se estabeleça pela atitude coerente dos pais (adultos). Conversar sobre os diversos assuntos e se posicionarem com clareza se tornando parte da solução dos problemas que porventura estejam instalados faz parte do papel dos pais e das mães destes seres ansiosos por construírem um mundo melhor para si. E a vida segue em frente…..

FONTES:

  • O Livro da Psicologia da GloboLivros
  • Vídeos e textos de Mario Sérgio Cortella e Karnal