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Ser criança…

O mundo carece de filhos educados pelos pais

Lembro-me bem de uma tia muito querida, irmã mais nova de minha mãe, a 10ª. filha e mãe de 6 filhos, a Tia Nilza! Uma mulher sábia com uma conexão muito estreita com o nosso Pai! Ela já nos avisava com uma voz meiga e segura: “filhos a gente ‘domina’ até os 3 anos, e se isso não acontecer não acontecerá mais.”

Como esta orientação vinha de seu coração e de sua vivência, ela não tinha noção da extensão que esta frase abrangia. Estou aqui para emitir minha opinião sobre este tema, criar filhos, por isso, não pretendo trazer comprovações teóricas ou científicas. Vou comentar livremente sobre minhas percepções abrindo então um espaço para falarmos sobre esta decisão tão importante, a de ter filhos.

Chegamos a um patamar vivencial que exige um comportamento muito diferenciado das pessoas que vivem nesta era do conhecimento permeada por tanta tecnologia. E a vida parece seguir em uma velocidade desenfreada e sem muitas reflexões.

Ter ou não ter filhos? Como tomamos esta decisão? Muitas vezes somos surpreendidos e outras vezes são resultados de um planejamento. Não importa como chegaram. O fato é que “Estamos grávidos, e agora?” É preciso pensar se querem ter filhos e então analisarem todas as necessidades que virão a partir deles.

Observo que a partir desta constatação o movimento passa a ser todo voltado para o gênero, o quarto, as roupinhas, o nome, as lembrancinhas….. E só quando o bebe chega, em uma grande maioria das vezes, é que os pais se dão conta de que a chegada desta criança provoca na verdade uma grande revolução e aí precisam se adaptar sem nenhum planejamento.

As noites sem dormir, a falta de experiência (a criança veio sem manual), o trabalho estressante, as consultas, as próximas decisões….. ufa! Parece não ter fim!

E a licença maternidade está chegando ao fim, é hora de voltar a trabalhar. Quem irá cuidar? Babás? Creche? Avós? Parentes?…..

O fato é que independente de quem vai ajudar a criar seus filhos é imprescindível que os pais se lembrem de que são eles os responsáveis por este novo ser que se forma.

Aí minha tia Nilza tinha razão, os 3 primeiros anos de vida de um ser humano são fundamentais para o desenvolvimento de sua personalidade. 80% do desenvolvimento do cérebro infantil ocorre durante os três primeiros anos de vida, segundo o professor Ronald Ferguson, da Universidade de Harvard.

Dr. José Martins Filho, professor da Unicamp, em seu vídeo “Criança Terceirizada” nos faz refletir sobre vários aspectos. No 1º ano de vida do bebê, a mãe precisa estar ciente de que precisará cuidar e dar atenção específica para a criança. Este é o primeiro vínculo deste ser e a qualidade da dedicação da mãe será determinante para o resto de sua vida.

O pai tem seu papel fundamental na vida desta criança, porém, o primeiro ano exige certa atuação exclusiva da mãe. A relação do bebe com aquele batimento cardíaco que ele ouvia no útero da mãe é fundamental. O contato, a pele, o cheiro, a amamentação…

É importante os pais se adequarem aos seus papeis. A criança precisa de sentir que tem espaço, que tem tempo dentro da vida dos pais.

O pai pode ter uma atuação efetiva a partir do 1º. ano. Isto não o isenta de participar, afinal ele precisa dar o suporte emocional e a tranquilidade financeira para que a mãe possa se dedicar com esta exclusividade exigida.

Os filhos dão a oportunidade aos pais de exercerem suas capacidades de amar, dar afeto, ser feliz com a felicidade do outro.

Quem educa é a família e não a escola. As pessoas precisam desenvolver esta consciência paterna e materna e se perguntarem: Que filhos estou formando para este mundo?

Participe intensamente da vida de seus filhos, não terceirizem esta responsabilidade. Não faltem nas comemorações, nas festas da escola; façam refeições com seus filhos. Façam as adaptações necessárias em suas vidas para receber esta criança. Ela precisa se sentir amada, respeitada e priorizada.

E alerta: “Trabalhem, mas não esqueçam as crianças. Sempre que possível, fiquem com elas. Deem atenção e mostrem carinho”.

É óbvio que o mundo moderno precisa dos pais trabalhando. Mas façam escolhas conscientes. De nada adianta boas escolas, os brinquedos e os estímulos se os pais não estiverem juntos abraçando, interagindo, rindo, cantando, discutindo. É isso que cria o vínculo entre pais e filhos. É o que vai ajudar o cognitivo, o psicológico, o intelectual e o pessoal das nossas crianças, comenta Nanna Pretto em seu artigo sobre o Papel dos pais no desenvolvimento da criança.

Ela ressalta algumas dicas de Ronald Ferguson, que podem ser praticadas em casa com as crianças:

  • Abraçar mais, maximizar o amor e minimizar o estresse – assim a criança se sentirá protegida e segura;

  • cantar, apontar e falar – afinal, essa é a primeira forma que a criança aprende para se comunicar;

  • contar, agrupar e comparar objetos, cores, fotos, fazer com que a criança reconheça e aprenda a fazer a distinção das coisas;

  • estimular o movimento e a brincadeira – Quem não ama, né? Conecte-se com a criança, corra, pule, brinque do jeito que você sabe e da forma que você sabe. Sempre será divertido.

  • Ler e estimular as histórias desde sempre! Ainda na barriga, enquanto estiver no peito. Mesmo que pareça que a criança não está entendendo, conte, leia e faça-a escutar a sua voz. Isso certamente trará bons resultados.

Use a tecnologia a seu favor, não podemos ignorá-la. No entanto não use equipamentos para fazer seu filho se distrair e ficar quieto. Escolha os programas adequados – desenhos e filmes educativos – para seus filhos assistirem, eles podem ser muito úteis e ajudar no desenvolvimento da criança.

FONTES:

http://dicademae.com/pais-no-desenvolvimento-da-crianca/

https://www.youtube.com/watch?v=w1CvvDWkd_0 – Crianças Terceirizadas